Ferrovia Portland

Estrada de Ferro Perus–Pirapora

A ferrovia de bitola estreita que nasceu com Cajamar e marcou a história do município

Estrada de Ferro Perus-Pirapora
Patrimônio Histórico de Cajamar

A ferrovia de 60 centímetros

A ferrovia deveria ser construída na bitola mais estreita de todas: 60 centímetros. O projeto original previa uma bifurcação logo após o quilômetro 15, depois de transpor o Rio Juqueri — por um lado seguiria até o Gato Preto; por outro, rumo ao reservatório de Parnaíba, entroncando-se com outra ferrovia que ligaria Cananéia ao Rio Paranapanema e, em seguida, atingindo Pirapora.

Em 1914, o trecho prioritário foi aberto ao público. O ramal até o Gato Preto — hoje Cajamar — foi construído sem autorização prévia do Governo, considerado um desvio de pouco mais de cinco quilômetros. Outros desvios seguiram-se para alcançar as minas de calcário na Vila de Água Fria e o bairro dos Pires, trechos que realmente interessavam aos proprietários da ferrovia.

1914

Abertura ao Público

O trecho Perus–Entroncamento é inaugurado, levando passageiros e minério pela única ferrovia de 60 cm do país.

1926

Cimento Portland

A Companhia Brasileira de Cimento Portland inicia atividades em Perus, trazendo calcário de Gato Preto pela ferrovia.

1951

Família Abdalla

A família Abdalla adquire a ferrovia e a fábrica. A linha passa a reunir material de ferrovias de mesma bitola em todo o Brasil.

1983

Tombamento

Após o fechamento, a ferrovia é tombada pelo Condephaat como patrimônio histórico, arqueológico e artístico do Estado.

Linha do Tempo

Os Anos de Operação

A linha Perus–Entroncamento era a única que podia transportar passageiros publicamente. Os trens mistos levavam meia hora para percorrer 16 quilômetros. Em 1936, a empresa desistiu da concessão para continuar até Pirapora, mas o nome Estrada de Ferro Perus–Pirapora permaneceu.

Em 1951, a ferrovia já era a única do Brasil com bitola de 60 cm e passou a adquirir material de todas as ferrovias da mesma medida que estavam encerrando as atividades: Usina Monte Alegre de Piracicaba, E. F. Dumont de Ribeirão Preto, ramais da Cia. Paulista e da Cantareira da Capital.

A Ferrovia e o Cotidiano

Mesmo com características de ferrovia industrial, a Perus–Pirapora levava os moradores das vilas de Gato Preto e Água Fria ao posto de saúde, às lojas e aos mercados de Perus. Todos eram acomodados no famoso vagão "M" — misto, pois transportava pessoas, sacos de pão, de cimento e outros.

O transporte de passageiros continuou até 1971, quando foi desativado, permanecendo apenas os trens de minério. Em 1974, problemas financeiros levaram o governo a alienar o acervo aos bens da União. Em 1983, a falta de modernização e a poluição forçaram o fechamento definitivo.

Curiosidade: Andar de Maria Fumaça na época era bem complicado! Muitos relatos contam que as faíscas das brasas queimavam a roupa, sendo necessário usar uma proteção especial para chegar ao destino com a roupa inteira e limpa.

Documentário